A gente vê com frequência: empreiteira chega no Plano Piloto, pega um solo avermelhado típico de Brasília, assume que é laterítico bom e manda dimensionar pavimento com CBR de prateleira. Aí vem a primeira temporada de chuva — outubro a março aqui no Planalto Central — e o subleito saturado perde metade da resistência. O CBR de projeto que era 20% vira 6% em campo, e o pavimento flexível trinca antes de completar dois ciclos. O problema nunca foi o solo: foi não ter feito o ensaio CBR com imersão de 4 dias como manda a metodologia. Em Brasília, onde a altitude de quase 1.200 metros intensifica a evaporação na seca e a saturação nas chuvas, o comportamento do subleito muda radicalmente entre maio e novembro. Um ensaio de granulometria bem executado ajuda a classificar o material, mas só o CBR com expansão medida te dá o número que o dimensionador precisa para calcular espessuras com segurança.
Solo laterítico do Cerrado perde até 70% do CBR quando saturado — o ensaio sem imersão é um número que não vale nada para projeto.
Detalhes técnicos do serviço em Brasilia

Riscos e considerações em Brasilia
A prensa de CBR que usamos em campo aqui no DF é um equipamento robusto, com anel dinamométrico calibrado e extensômetro de 0,01 mm de resolução — porque leitura imprecisa de expansão em solo laterítico é receita para subdimensionar base. O risco mais frequente em Brasília não é o solo ruim: é o solo bom demais na seca. O técnico coleta a amostra em agosto, compacta na umidade higroscópica, rompe sem imersão e anota CBR 35%. O engenheiro feliz dimensiona com esse número. Na primeira cheia, a água sobe por capilaridade, a sucção some e o módulo resiliente despenca. A fissura longitudinal aparece em menos de um ano. Outra armadilha é a heterogeneidade das jazidas: em Taguatinga e Ceilândia, é comum encontrar lentes de argila siltosa dentro do perfil laterítico, com expansão acima de 3% e CBR abaixo de 5% após imersão. Se a campanha de sondagem não tiver densidade suficiente, essas lentes passam despercebidas. O custo de recapear um trecho de 500 metros é ordens de grandeza maior que o custo de fazer 3 furos extras de sondagens SPT para mapear a variabilidade antes de definir a cota do greide.
Nossos serviços
Nossa campanha de ensaios CBR para pavimentação em Brasília cobre desde a coleta indeformada na jazida até o relatório com curvas de compactação e CBR por camada. Trabalhamos com molde grande e imersão completa, seguindo a metodologia do DNER, e entregamos os dados prontos para o dimensionador lançar no software de pavimento.
Ensaio CBR de laboratório com imersão
Compactação na energia especificada (Intermediária ou Modificada), imersão por 96 horas com leituras de expansão a cada 24 h, e ruptura para obtenção do CBR nas penetrações de 2,54 mm e 5,08 mm. Relatório com curva tensão-penetração.
Campanha de coleta e caracterização de jazida
Coleta de amostras indeformadas e amolgadas em taludes de corte, jazidas e empréstimos, com identificação tátil-visual preliminar e ensaios de granulometria e limites de Atterberg para classificação MCT e TRB do material.
Parecer técnico de subleito para projeto viário
Interpretação dos resultados de CBR e expansão por trecho homogêneo, com recomendação de energia de compactação, faixa de umidade admissível e espessura mínima de reforço quando o CBR de projeto for inferior ao exigido pelo tráfego.
Dúvidas comuns
Qual a diferença entre CBR de laboratório e CBR in situ para um projeto viário em Brasília?
O CBR de laboratório (DNER-ME 049/94) é feito com o solo compactado na umidade ótima e imerso por 96 horas — é o valor que você usa para dimensionar camadas. O CBR in situ, medido com penetrômetro dinâmico diretamente no subleito, serve para controle de execução: verificar se a compactação em campo atingiu a resistência de projeto. Em Brasília, onde a umidade do subleito varia muito entre a seca e a chuva, o CBR in situ medido em agosto pode ser enganosamente alto. Por isso a norma manda correlacionar com o ensaio de laboratório imerso.
Qual o CBR mínimo exigido para subleito no DF?
O DNIT recomenda CBR mínimo de 2% para subleito de pavimento flexível, mas na prática, para tráfego médio e pesado comum no DF, a maioria dos projetistas adota CBR de projeto igual ou superior a 6% após imersão. Se o solo local não atinge esse valor, dimensiona-se uma camada de reforço de subleito com material de jazida (geralmente cascalho laterítico) que entregue CBR maior ou igual a 12%. O importante é que o valor usado no dimensionamento seja o CBR imerso, e não o da amostra seca.
Quanto custa um ensaio CBR completo em Brasília?
Um ensaio CBR completo, incluindo compactação Proctor e imersão de 96 horas com leituras de expansão, fica por volta de R$ 100.000. Esse valor pode variar conforme a quantidade de amostras na campanha e a necessidade de ensaios complementares como granulometria e limites de consistência.
Quanto tempo leva para ter o resultado do ensaio CBR?
O ensaio de CBR com imersão leva no mínimo 5 dias úteis: 1 dia para compactação do corpo de prova, 4 dias (96 horas) de imersão com leituras diárias de expansão, e mais algumas horas para a ruptura na prensa. Depois da ruptura, entra a fase de análise e emissão do relatório. No total, entre receber a amostra e entregar o relatório assinado, o prazo típico é de 7 a 10 dias corridos, dependendo da demanda do laboratório.